Blog

Flávio de terno amarelo digita no MacBook com tablet e celular; quadros de fluxos e post-its ao fundo

Google Ads para Médicos: Como Anunciar Respeitando as Regras do CFM

Quando alguém digita no Google “dermatologista perto de mim” ou “ortopedista para dor no joelho em Goiânia”, essa pessoa já decidiu que precisa de um médico. Ela não está rolando o feed por distração: está procurando quem vai atender. É exatamente nesse momento que o anúncio certo coloca o seu consultório na frente dela.

Em poucas palavras: Google Ads para médicos é o uso dos anúncios da Rede de Pesquisa do Google para aparecer a quem busca a sua especialidade ou o seu procedimento na sua região, com peças que respeitam a Resolução CFM nº 2.336/2023 e uma medição baseada em consultas agendadas, não em cliques. Este guia complementa a nossa visão mais ampla de marketing médico e fica focado em um canal só: a busca paga.

Na Otimize, somos parceiros oficiais do Google Partners desde 2013. A dúvida que mais ouvimos de médicos donos de consultório é direta: “posso anunciar sem ter problema no CRM?”. Pode, desde que o anúncio siga as regras. Vamos mostrar quais são, com o artigo da resolução ao lado, e como montar uma campanha que o próprio médico consegue acompanhar.

Resumo do que você vai encontrar neste guia:

  • Por que a busca no Google funciona tão bem para consultórios e clínicas;
  • O que a Resolução CFM nº 2.336/2023 permite e o que ela proíbe na publicidade;
  • Como estruturar a campanha por especialidade e região, com palavras negativas e extensões;
  • O que a página de destino precisa ter, incluindo CRM e RQE;
  • Como transformar o clique em consulta agendada pelo WhatsApp;
  • Como medir o resultado pelo que interessa: pacientes atendidos.

Por Que o Google Ads Funciona Tão Bem para Médicos

A diferença entre anunciar numa rede social e anunciar na busca está na intenção. Na rede social, o anúncio interrompe alguém que não estava pensando em saúde. Na busca, a pessoa escreveu com as próprias palavras o que precisa: o nome da especialidade, do exame, do sintoma ou do procedimento, muitas vezes junto com o bairro ou a cidade.

Para o médico, isso significa conversar com quem já tem uma necessidade real e está comparando opções. O anúncio não precisa convencer ninguém de que existe um problema; precisa mostrar, com sobriedade, que você é uma boa opção para resolvê-lo, perto de onde a pessoa está e com uma forma fácil de marcar.

Outro ponto a favor: você só paga quando alguém clica, e o preço desse clique é definido em leilão, levando em conta a qualidade do anúncio e da página. Se quiser entender esse mecanismo sem jargão, explicamos em detalhe no guia sobre como funciona o Google Ads.

O Que a Resolução CFM nº 2.336/2023 Diz Sobre Publicidade

A regra que vale hoje para publicidade médica é a Resolução CFM nº 2.336/2023, publicada no Diário Oficial em 13 de setembro de 2023. Ela define publicidade médica como a comunicação ao público, por qualquer meio, que promove as estruturas, os serviços e as qualificações do médico ou do estabelecimento (art. 1º). Anúncio no Google entra nessa definição.

Dois pontos da resolução importam muito para quem vai investir em anúncios. Primeiro, a responsabilidade: o médico responde pelo que divulga como pessoa física, e o diretor técnico-médico responde pela divulgação da clínica ou do hospital (art. 3º). Ou seja, a agência executa, mas quem responde no CRM é o médico. Segundo, a resolução é acompanhada de um Manual da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame), que o médico também é obrigado a seguir (art. 2º).

Por isso, qualquer campanha séria para médicos começa com uma revisão das peças contra a resolução antes de ir ao ar. Isso não trava o resultado; evita que a verba construa uma exposição que depois vira problema ético.

Agende uma sessão estratégica.

Recomendaremos o melhor caminho para o sucesso do seu negócio na internet.

AGENDAR

O Que o Médico Pode Anunciar

A resolução trouxe um capítulo inteiro de permissões, e várias delas conversam diretamente com o Google Ads. Pelo art. 9º, o médico pode:

  • mostrar o ambiente de trabalho, a própria imagem e a equipe (inciso I);
  • informar a forma de marcação de consulta, os horários e o funcionamento do consultório (inciso IV);
  • falar de estacionamento, conforto, localização e dos planos e seguros aceitos (inciso V);
  • informar valores de consultas e formas de pagamento (inciso VI);
  • anunciar descontos em campanhas promocionais, sem venda casada nem premiações (inciso VIII);
  • revelar resultados comprováveis de tratamentos, desde que não identifique pacientes (inciso XVI).

Na prática, isso dá matéria-prima de sobra para um bom anúncio de busca: a especialidade, o bairro, os convênios, o agendamento facilitado, o horário estendido, o estacionamento. São informações úteis para quem pesquisa e, justamente por serem úteis, costumam gerar mais cliques qualificados.

O Que Não Pode Aparecer no Anúncio

O art. 11 lista as proibições. As que mais aparecem em anúncios mal feitos de consultório são estas:

  • garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento (inciso XII);
  • divulgar, sem ser especialista, que trata órgãos ou doenças específicas, porque isso confunde o paciente com a divulgação de uma especialidade (inciso I);
  • atribuir capacidade privilegiada a aparelhos ou técnicas, mesmo sendo o único a usá-las (incisos II e IX);
  • divulgar método não reconhecido pelo CFM ou equipamento sem registro na Anvisa (incisos III e VII);
  • adotar tom sensacionalista ou autopromocional, praticar concorrência desleal ou divulgar conteúdo inverídico (inciso XVI);
  • anunciar serviços médicos gratuitos no consultório privado, o que a resolução trata como concorrência desleal (§4º).

A resolução também explica o que entende por sensacionalismo, e um dos itens pesa muito em anúncio: veicular informação que cause medo, pânico ou insegurança (§2º, alínea e). Aquele título do tipo “Não ignore esse sintoma, pode ser grave” é o tipo de chamada que precisa ser evitado. Imagens de antes e depois também têm regra própria, só com finalidade educativa e apresentadas em conjunto com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações (art. 14), o que na prática não combina com o espaço curto de um anúncio.

Para facilitar a revisão, resumimos o que pode e o que não pode no quadro abaixo.

Infográfico comparando o que pode e o que não pode no anúncio de Google Ads de médicos segundo a Resolução CFM nº 2.336/2023: pode informar especialidade com RQE, agendamento, convênios, valores e resultados comprováveis sem identificar pacientes; não pode prometer resultado, ser sensacionalista, atribuir capacidade privilegiada a técnicas ou anunciar especialidade sem RQE.

Os Dados Obrigatórios: CRM, RQE e Diretor Técnico

O art. 4º determina que toda peça de publicidade médica traga o nome do médico, o número de registro no CRM acompanhado da palavra MÉDICO e, quando houver especialidade registrada, o número do RQE, que é o Registro de Qualificação de Especialista. No caso de clínicas, o art. 5º exige o nome do estabelecimento com o registro no CRM e o nome do diretor técnico-médico com a inscrição e, quando exigível, o RQE.

O art. 6º completa: em sites, redes sociais e congêneres, essas informações precisam estar na página principal. Para o Google Ads, o lugar natural é a página de destino, que falaremos mais adiante, e, quando o espaço do texto permitir, o próprio anúncio. Anunciar especialidade sem ter o RQE correspondente é um dos erros mais sérios, porque esbarra no art. 4º e no art. 11, inciso I, ao mesmo tempo.

Como Estruturar a Campanha: Especialidade Mais Região

Não precisa virar especialista em Google Ads para entender a lógica de uma boa campanha para consultório. Ela é organizada em torno de duas perguntas: o que o paciente procura e onde ele está.

Grupos por especialidade e procedimento

Cada serviço relevante ganha o seu grupo de anúncios, com palavras e textos próprios. Quem busca “consulta com endocrinologista” deve ver um anúncio sobre endocrinologia, e não um texto genérico da clínica. Isso melhora a relevância, e anúncio relevante tende a pagar menos pelo mesmo clique.

Segmentação pela região atendida

A campanha deve aparecer para quem está na área em que o paciente realmente se desloca até o consultório. Anunciar para o estado inteiro quando a clínica atende um raio de poucos bairros é uma forma comum de desperdiçar verba.

Palavras negativas

Palavras negativas são termos para os quais você não quer aparecer. Para médicos, a lista costuma incluir buscas por vagas e emprego, cursos e residência, termos que indicam atendimento gratuito quando o consultório é particular e pesquisas de estudante. Revisar os termos que de fato geraram cliques é uma rotina que você deve cobrar da agência.

Extensões do anúncio

As extensões, hoje chamadas de recursos do anúncio, acrescentam informações úteis: endereço, telefone para ligação, links para páginas específicas e destaques como convênios aceitos ou agendamento online. Tudo isso é permitido pelo art. 9º, incisos IV e V, e deixa o anúncio maior e mais útil na página de resultados.

Médica e secretária do consultório revisando a campanha de Google Ads por especialidade

A Página de Destino Que Converte e Respeita as Regras

O clique leva a pessoa a uma página. Se essa página é a home genérica do site, com dez especialidades e nenhum botão claro, boa parte do investimento se perde ali. A página ideal fala do serviço que foi buscado, mostra o médico e o ambiente, explica como funciona a consulta e tem um caminho óbvio para marcar.

Para o médico, a página também é onde a conformidade fica mais visível. Ela deve trazer:

  • nome do médico, a palavra MÉDICO e o número do CRM;
  • especialidade com o respectivo RQE, quando houver;
  • no caso de clínica, o registro do estabelecimento no CRM e os dados do diretor técnico-médico;
  • endereço, horários, convênios e formas de pagamento;
  • botão de agendamento pelo WhatsApp ou telefone visível sem precisar rolar muito.

O que não deve estar na página é o mesmo que não deve estar no anúncio: promessa de resultado, depoimento de paciente elogiando o resultado do procedimento, chamadas alarmistas e títulos como “o melhor médico da cidade”, que a resolução veda expressamente no art. 11, inciso XIII.

Do Clique à Consulta: Agendamento pelo WhatsApp e Atendimento

Hoje, boa parte dos pacientes prefere mandar uma mensagem a ligar. Um botão de WhatsApp na página e no anúncio encurta o caminho. Mas é aqui que muitas campanhas boas morrem: a mensagem chega às 19h, ninguém responde até a manhã seguinte, e o paciente já marcou com outro consultório.

Tempo de resposta, um roteiro de atendimento cordial e a capacidade da secretária de oferecer horários concretos pesam tanto quanto o anúncio. Falamos disso com profundidade no artigo sobre como transformar consultas médicas em experiências de alto valor percebido, que vale ler junto com este.

Uma prática simples ajuda muito: combinar com a recepção que toda conversa vinda do anúncio seja registrada, com a data do contato e se a consulta foi marcada. Sem esse registro, não há como saber se o investimento está trazendo pacientes.

Recepcionista da clínica agendando consulta pelo WhatsApp de paciente vindo do Google

Como Medir: Consultas Agendadas, Não Cliques

Clique barato não paga as contas do consultório. O número que interessa é quantas consultas foram agendadas e, depois, quantas aconteceram. A partir daí, dá para calcular quanto custou cada paciente que chegou pelo Google e comparar com o valor que esse paciente representa ao longo do tratamento.

Por isso, antes de subir a campanha, a agência deve configurar a medição dos contatos: cliques no botão de WhatsApp, ligações feitas pelo anúncio e envios de formulário. E, idealmente, cruzar esses contatos com a agenda real da clínica. Os relatórios que você recebe devem trazer, no mínimo:

  • investimento no período;
  • número de contatos por WhatsApp, ligação e formulário;
  • consultas agendadas a partir desses contatos;
  • custo por consulta agendada, mês a mês;
  • principais termos pesquisados e palavras negativas adicionadas.

Se o relatório só fala de impressões, cliques e taxa de cliques, peça mais. Essas métricas ajudam a diagnosticar, mas não respondem se o anúncio está enchendo a agenda.

Erros Comuns de Médicos no Google Ads

Na nossa rotina com clientes da área da saúde, alguns erros se repetem. O primeiro é copiar anúncios de outros segmentos, com promessas e urgência que funcionam no varejo, mas ferem o art. 11. O segundo é deixar a campanha rodar sem revisar os termos de pesquisa e pagar por buscas que nunca virariam consulta.

O terceiro é mandar todo o tráfego para a página inicial do site, sem CRM e RQE visíveis e sem botão de agendamento. E o quarto é não integrar o atendimento: o anúncio gera a conversa, mas ninguém mede quantas viraram consulta. Nenhum desses erros exige grande investimento para ser corrigido; exige método e acompanhamento.

Checklist Antes de Colocar o Anúncio no Ar

  • ✅ Nome, CRM e a palavra MÉDICO na página de destino (art. 4º, I);
  • ✅ Especialidade anunciada com RQE correspondente (art. 4º, II);
  • ✅ Dados do estabelecimento e do diretor técnico-médico, no caso de clínica (art. 5º);
  • ✅ Nenhuma promessa ou insinuação de resultado (art. 11, XII);
  • ✅ Nenhuma chamada alarmista, sensacionalista ou autopromocional (art. 11, XVI e §2º);
  • ✅ Campanha dividida por especialidade e limitada à região atendida;
  • ✅ Lista de palavras negativas revisada periodicamente;
  • ✅ Botão de WhatsApp e telefone visíveis, com atendimento rápido combinado com a recepção;
  • ✅ Medição configurada e relatório com consultas agendadas e custo por consulta.

Conclusão

O Google Ads para médicos funciona porque encontra o paciente no momento em que ele procura ajuda. Com uma campanha organizada por especialidade e região, palavras negativas bem cuidadas e uma página de destino clara, o consultório passa a aparecer para quem de fato pode virar paciente, sem depender só de indicação.

A condição é anunciar dentro das regras. A Resolução CFM nº 2.336/2023 deu mais liberdade ao médico, inclusive para falar de valores e formas de agendamento, mas manteve limites firmes contra promessa de resultado e sensacionalismo. Quem une conformidade, atendimento rápido e medição por consultas agendadas constrói um canal de pacientes previsível e seguro.

Perguntas frequentes

Médico pode anunciar no Google Ads?

Pode. A Resolução CFM nº 2.336/2023 trata a publicidade médica como comunicação ao público por qualquer meio e lista o que é permitido, como informar especialidade, forma de agendamento, convênios e valores de consulta. O que não pode é prometer resultado, ser sensacionalista ou anunciar especialidade sem RQE.

Preciso colocar CRM e RQE no anúncio do Google?

O art. 4º da resolução exige nome, CRM com a palavra MÉDICO e, quando houver, especialidade com RQE em toda peça publicitária. Como o texto do anúncio de busca é curto, a página de destino precisa trazer esses dados de forma visível, e o anúncio deve incluí-los sempre que houver espaço.

Posso divulgar o valor da consulta no anúncio?

Sim. O art. 9º, inciso VI, permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento. Descontos em campanhas promocionais também são permitidos, desde que sem venda casada ou premiações, conforme o inciso VIII.

Como saber se o Google Ads está trazendo pacientes?

Meça contatos por WhatsApp, ligações e formulários e cruze com as consultas efetivamente agendadas. O indicador principal é o custo por consulta agendada, acompanhado mês a mês. Cliques e impressões servem para diagnóstico, mas não mostram se a agenda está enchendo.

Quem responde no CRM se o anúncio da clínica estiver errado?

Pelo art. 3º, o médico responde pelo que divulga como pessoa física, e o diretor técnico-médico responde pela divulgação do estabelecimento. Por isso, vale revisar as peças com a agência antes de publicar.

Quer Anunciar no Google Sem Arriscar o Seu CRM?

Flávio de blazer amarelo e camiseta preta digita no MacBook; sala com equipe, sofá amarelo e murais de post-its

Na Otimize, montamos campanhas de Google Ads para consultórios e clínicas com revisão das peças conforme a resolução do CFM, página de destino pensada para agendamento e relatórios que mostram consultas, não apenas cliques. Fale com a nossa equipe e agende uma conversa de diagnóstico.

Fontes e referências

Compartilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Foto de Flávio Sabugo

Flávio Sabugo

Flavio Sabugo é Executive Coaching, Consultor e Palestrante de Marketing Digital. A mais de 20 anos se destaca na área comercial em empresas nacionais e internacionais. Apaixonado por tecnologia se especializou no mercado digital para desenvolvimento de estratégias em empresas que pretendem potencializar seus resultados através da internet.
plugins premium WordPress