As dicas para empreender de Flávio Augusto da Silva, fundador da escola de inglês Wise Up e do projeto Geração de Valor, valem para qualquer dono de pequena ou média empresa porque nasceram de um negócio que começou pequeno, endividado e sem cliente nenhum, e cresceu vendendo. Ele abriu a primeira escola em 1995, aos 23 anos, com dinheiro do cheque especial, vendeu a rede em 2013 e a recomprou em 2015.
Este artigo mantém as dez dicas, mas cada uma ganhou um bloco de aplicação prática na sua empresa, com foco em vendas, marketing e aquisição de clientes. Inspiração sem cliente novo não paga a folha. Se a sua agenda comercial está vazia, comece pela prospecção de clientes e volte aqui para organizar o resto.
Resumo do que você vai encontrar neste guia:
- quem é Flávio Augusto e por que a história da Wise Up interessa a quem tem empresa;
- as 10 dicas originais, cada uma com um bloco “Na sua empresa”;
- como transformar ideia, plano e equipe em uma máquina de aquisição de clientes;
- o papel do marketing, dos anúncios e do time de vendas no crescimento;
- um checklist para aplicar as dicas e perguntas frequentes.
Antes das dicas, um resumo da história. Flávio Augusto nasceu no Rio de Janeiro, em 1972, e, segundo a Gazeta do Povo, não falava inglês quando fundou uma escola de inglês: a especialidade dele estava nas vendas e na leitura de mercado. A aposta foi um programa de 18 meses para adultos que não queriam esperar cinco ou sete anos. A rede adotou franquias em 2000 e chegou a 396 unidades antes da venda para a Abril Educação, por R$ 877 milhões. Em paralelo, ele criou o Geração de Valor, projeto de conteúdo que virou livro pela Editora Sextante em 2014, e comprou o Orlando City, clube de futebol dos Estados Unidos, vendido em 2021.

1. Tenha uma ideia de negócio inovadora
Inovar não é inventar um produto que não existe. A Wise Up não inventou o curso de inglês: ela mudou o formato para um público específico, adultos com pressa, que precisavam do idioma com a chegada das multinacionais ao Brasil. A inovação estava na promessa e no público, não na matéria ensinada.
Para o dono de empresa, a lição é perguntar: quem está mal atendido pelo jeito que todo mundo vende? Pode ser o cliente que quer rapidez, atendimento no WhatsApp fora do horário comercial ou um pacote mais simples. A ideia inovadora costuma estar em uma dessas frestas.
Na sua empresa
Escreva em uma frase o que você faz de diferente e para quem. Se a frase não couber em um anúncio, ela também não cabe na cabeça do cliente. O Google e a Meta entregam o anúncio, mas quem convence é a promessa. Teste duas ou três versões dessa frase em anúncios pequenos e veja qual gera mais pedidos de orçamento.
2. Faça um plano de negócios
O plano de negócios que funciona para a pequena empresa é curto. O que importa é responder, com números, a quatro perguntas: quem é o cliente, quanto ele paga, quanto custa conquistá-lo e quantos clientes novos por mês a empresa precisa para fechar a conta.
A Wise Up começou com dinheiro que, segundo a Forbes, mal cobria reforma, aluguel e a contratação da primeira equipe. Sem um plano de vendas agressivo desde o primeiro dia, não haveria segundo mês. O plano era a conta de quantas matrículas precisavam entrar para a operação não quebrar.
Na sua empresa
Monte um plano comercial de uma página: meta de faturamento do mês, ticket médio e, a partir disso, o número de vendas necessárias. Depois, estime quantos contatos (leads) você precisa para fechar essas vendas, usando a sua taxa de conversão real. Por fim, defina de onde vêm esses contatos: indicação, anúncios, redes sociais, parcerias. Esse documento vira o briefing de qualquer agência que você contratar.
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3. Tenha determinação e perseverança
A história do cheque especial é a mais repetida da carreira de Flávio Augusto: ele e a esposa usaram R$ 20 mil do limite, com juros altos, para abrir a primeira escola. Mas ele mesmo trata o caso com ressalva. Segundo a Gazeta do Povo, perguntado pela Folha de S.Paulo, em 2014, o que diria a quem quisesse repetir a estratégia, respondeu: “Tecnicamente é desaconselhável.” Determinação não é sinônimo de imprudência.
Perseverança, na pequena empresa, raramente é um gesto heroico. É ligar de novo para o cliente que não respondeu, revisar o anúncio que não converteu em vez de desligar a campanha na primeira semana, e manter a rotina comercial nos meses fracos.
Na sua empresa
Crie uma rotina de acompanhamento de propostas que não dependa de memória: todo contato recebe retorno em prazos definidos, e nada sai da lista sem um sim ou um não claro do cliente. Esse é o coração do follow-up em vendas. Combine com a equipe quantas tentativas cada lead merece antes de ser arquivado, e cobre isso toda semana.
4. Aprenda com os erros
O maior aprendizado público de Flávio Augusto foi um erro que ele teve de corrigir. Quando recomprou a Wise Up, no fim de 2015, a empresa estava menor do que na venda. A Forbes relatou que, nos três anos sob outro controle, a rede passou por três presidentes diferentes e perdeu escolas. Ele reorganizou a sede, recontratou colaboradores da época da fundação e apresentou um plano novo aos franqueados.
Para quem tem empresa, a mensagem é dupla. Erro só vira aprendizado quando é medido: se você não sabe quantos leads chegaram, quantos foram atendidos e quantos compraram, não sabe onde errou. E aprender exige mudar algo concreto, como processo, equipe ou oferta.
Na sua empresa
Faça uma reunião curta por mês só para olhar os números de aquisição: investimento em marketing, leads gerados, leads atendidos, propostas enviadas, vendas fechadas e custo por venda. Pegue o pior indicador e mude uma coisa nele, uma só, para saber se a mudança funcionou.

5. Crie uma equipe sólida
Na história da Wise Up, equipe sempre significou, em primeiro lugar, time de vendas. Em uma live registrada pelo blog da V4 Company, Flávio Augusto afirmou que, mesmo vendendo centenas de matrículas por ano, só uma parte pequena das vendas se fecha de forma totalmente digital. A internet gera o contato, mas quem fecha é gente treinada.
Equipe sólida, nesse sentido, é quem atende rápido, pergunta antes de oferecer, registra o que o cliente disse e volta a falar com ele no prazo combinado. Uma pessoa bem treinada e com processo claro vende mais do que três sem método.
Na sua empresa
Defina quem é o dono de cada lead que chega. Escreva um roteiro de primeiro atendimento com as três perguntas que qualificam o cliente e o próximo passo a propor. Meça o tempo de resposta: um contato que vem de anúncio e espera horas esfria. Se você vai contratar uma agência, pergunte como ela acompanha o lead depois do clique: essa ponte entre marketing e vendas é onde a maior parte do resultado se perde.
6. Invista em marketing e publicidade
Flávio Augusto resume o momento em uma frase registrada na mesma live pela V4 Company: “O digital não é mais uma novidade, é o óbvio!” A frase incomoda quem ainda trata anúncio na internet como experiência, e não como parte do orçamento, como aluguel e folha. A lógica vale para a clínica, a loja ou o escritório de serviços.
Investir, porém, não significa gastar sem critério. O tráfego pago funciona quando tem uma oferta clara, um público definido e alguém medindo o custo por cliente conquistado. Na Otimize, em 14 anos de mercado e mais de 500 clientes atendidos, o padrão se repete: quem define a meta e acompanha os números cresce; quem só “impulsiona” de vez em quando reclama que anúncio não funciona.
Na sua empresa
Separe um orçamento mensal fixo para aquisição de clientes e trate-o como investimento com meta. Comece pelos canais em que o cliente já procura por você, como a pesquisa do Google, e some os canais de descoberta, como Instagram e Facebook, com criativos testados. No case da Moovz, testes com criativos feitos por creators (UGC) na Meta reduziram o custo por lead em 74% em oito meses de gestão ativa.
7. Tenha uma boa gestão financeira
A relação de Flávio Augusto com dinheiro tem dois lados. De um, a aposta no cheque especial que ele mesmo não recomenda. De outro, a disciplina de recuperar uma empresa que, segundo ele contou à Forbes e a Gazeta do Povo reproduziu, viu a inadimplência disparar depois de uma mudança na forma de cobrança dos alunos, e precisou de aportes e de três anos de trabalho para voltar a ser saudável.
Para a pequena empresa, gestão financeira e aquisição de clientes andam juntas. Se você não sabe a margem de cada venda, não sabe quanto pode pagar por um cliente novo, e o orçamento de marketing vira chute.
Na sua empresa
Calcule três números e revise-os todo mês: a margem média por venda, o custo de aquisição de cliente (gasto em marketing e vendas dividido pelo número de clientes novos) e quanto um cliente deixa na empresa ao longo do tempo. Com eles, você sabe até quanto pode pagar por um lead e quando um canal deixou de valer a pena.
8. Seja inovador e esteja sempre atualizado
O episódio mais claro dessa dica foi a pandemia. A Wise Up tinha cerca de 400 escolas quando o ensino presencial parou. Segundo a Gazeta do Povo, a empresa acelerou uma plataforma online lançada em 2019, recomendou aos franqueados migrar para o digital e converteu parte das escolas em franquias online. A base de alunos, segundo o próprio empresário, saltou de cerca de 80 mil para 400 mil.
A lição não é “vá para o online”. É que atualização de verdade acontece antes da crise: a plataforma já existia quando a pandemia chegou, e a crise só acelerou. Estar atualizado é ter pronto o canal, a ferramenta ou o formato que o cliente vai pedir amanhã.
Na sua empresa
Escolha uma frente de atualização por semestre e vá até o fim. Exemplos que mudam a aquisição de clientes: organizar os contatos em um sistema simples em vez de planilha e memória, atender pelo WhatsApp com padrão e registro, ou gravar vídeos curtos do seu serviço para usar em anúncios.

9. Tenha um bom relacionamento com os clientes
Na Wise Up, os clientes mais importantes do fundador eram, em boa medida, os franqueados. Quando recomprou a empresa, ele contou à Forbes que apresentou a eles um plano para os três anos seguintes, e que o interesse por novas franquias voltou a crescer. Relacionamento, aqui, não foi simpatia: foi apresentar um plano claro a quem dependia da empresa e cumprir.
Para a pequena empresa, relacionamento é a forma mais barata de aquisição que existe, porque gera indicação e recompra sem custo de anúncio. Mas só funciona organizado: cliente satisfeito indica se for lembrado de indicar, e recompra se for procurado na hora certa.
Na sua empresa
Crie três rotinas. Primeira: um contato de pós-venda alguns dias depois da entrega. Segunda: um pedido de avaliação no seu perfil do Google para cada cliente satisfeito, porque essas avaliações influenciam quem está pesquisando a sua empresa. Terceira: um programa de indicação com recompensa clara. Essas rotinas alimentam o funil sem aumentar o orçamento de anúncios.
10. Seja persistente e tenha paciência
A Wise Up levou anos para virar rede, e a recuperação depois da recompra levou, segundo o próprio Flávio Augusto à Forbes e à Gazeta do Povo, cerca de três anos de trabalho. Paciência não é esperar sentado: é continuar executando o plano enquanto os resultados amadurecem.
Em marketing e vendas, a falta de paciência custa caro de um jeito específico: o dono troca de agência, de canal ou de estratégia antes de a campanha acumular dados suficientes para ser otimizada. Cada troca zera o aprendizado.
Na sua empresa
Antes de começar qualquer ação de aquisição, defina o prazo justo para avaliar e o indicador que será olhado, e registre por escrito com a equipe ou com a agência. Cobre evolução nesse indicador a cada mês, e só mude de rota se, passado o prazo, a tendência não melhorar. Essa disciplina protege o orçamento da ansiedade e da acomodação.
Checklist: como aplicar as 10 dicas na sua empresa
- ✅ Tenho uma frase clara que diz o que faço de diferente e para quem;
- ✅ Tenho um plano comercial de uma página com meta de vendas, leads necessários e canais;
- ✅ Todo lead recebe retorno em prazos definidos, com um número combinado de tentativas;
- ✅ Faço uma reunião mensal para olhar os números de aquisição e mudar uma coisa por vez;
- ✅ Cada lead tem um responsável, um roteiro de primeiro atendimento e tempo de resposta medido;
- ✅ Tenho um orçamento mensal fixo de marketing, com meta e custo por cliente acompanhado;
- ✅ Conheço a margem por venda, o custo de aquisição e o valor do cliente ao longo do tempo;
- ✅ Tenho uma frente de atualização em andamento neste semestre, com data para terminar;
- ✅ Pós-venda, pedido de avaliação e programa de indicação funcionam como rotina;
- ✅ Cada ação de aquisição tem prazo de avaliação e indicador combinados por escrito.
Conclusão
As dez dicas para empreender de Flávio Augusto resistiram ao tempo porque não são truques: são hábitos de quem precisou vender para sobreviver e depois para crescer. Juntas, elas formam o que a pequena empresa mais precisa: uma máquina previsível de conquistar clientes.
Você não precisa aplicar as dez de uma vez. Escolha a que mais dói hoje, normalmente a que está travando as vendas, e resolva-a nos próximos trinta dias. Depois, passe para a próxima. É assim que inspiração vira resultado.
Perguntas frequentes
Quem é Flávio Augusto da Silva?
É um empresário carioca, fundador da escola de inglês Wise Up, aberta em 1995, e do projeto de conteúdo Geração de Valor, que virou livro em 2014. Ele vendeu a Wise Up em 2013, recomprou a empresa em 2015 e hoje comanda o grupo Wiser Educação. Também foi dono do Orlando City, clube de futebol dos Estados Unidos.
As dicas de Flávio Augusto servem para pequenas empresas?
Sim, e talvez sirvam melhor para elas do que para grandes grupos. A Wise Up começou como uma escola só, sem caixa e sem clientes. As dez dicas tratam de ideia clara, plano, equipe, marketing, finanças e relacionamento, que são exatamente os pontos que travam o crescimento de uma pequena ou média empresa.
Qual é a dica mais importante para quem quer vender mais?
Na nossa experiência, a combinação da dica 5 (equipe sólida) com a dica 6 (marketing como investimento). Anúncio gera o contato, mas quem fecha a venda é um atendimento rápido e com método. Empresas que investem em tráfego pago sem organizar o atendimento perdem boa parte do que pagaram para atrair.
Flávio Augusto recomenda usar o cheque especial para abrir empresa?
Não. Embora a história dos R$ 20 mil do cheque especial seja a mais repetida da carreira dele, o próprio empresário disse em entrevista, em 2014, que tecnicamente é desaconselhável. A lição é de determinação, não de tomar dívida cara para começar.
Por onde começar a aplicar as dicas na minha empresa?
Comece pela dica que está travando as vendas hoje. Para a maioria das empresas pequenas, é organizar o atendimento dos leads e definir um orçamento fixo de aquisição de clientes, com meta e indicador combinados. Resolva uma dica por mês e, em menos de um ano, as dez estarão em rotina.
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Fontes e referências
- Forbes Brasil. Fundador da Wise Up transforma empresa em mina de dinheiro. Forbes, 2019.
- Forbes Brasil. Como o bilionário Flávio Augusto pretende reerguer a Wise Up, recomprada por ele. Forbes, 2016.
- Jana Fogaça. Do cheque especial aos negócios bilionários: como Flávio Augusto chegou ao topo. Gazeta do Povo, 2026.
- Wikipédia. Flávio Augusto da Silva. Wikipédia, a enciclopédia livre, consultada em 2026.
- Flávio Augusto da Silva. Geração de Valor. Editora Sextante, 2014 (ficha do livro no Skoob).
- V4 Company. Flávio Augusto: entrevista sobre processo de vendas através da internet. Blog da V4 Company, 2026.












